Reforma do IR: Câmara aprova texto que altera a tributação de pessoas físicas e jurídicas

Pacote de medidas que traz mudanças nas regras do Imposto de Renda e da CSLL ainda passará pelo Senado e pela sanção/veto presidencial.

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Reforma do IR: Câmara aprova texto que altera a tributação de pessoas físicas e jurídicas


Pacote de medidas que traz mudanças nas regras do Imposto de Renda e da CSLL ainda passará pelo Senado e pela sanção/veto presidencial


Em 2 de setembro, a Câmara dos Deputados concluiu a aprovação do Projeto de Lei nº 2337/2021, pacote de medidas que vem sendo chamado de “Reforma do Imposto de Renda”. O texto traz alterações nas regras para tributação de pessoas físicas e jurídicas.

O que foi proposto até o momento está sujeito a alterações durante o percurso de tramitação, mas vale o acompanhamento do tema para traçar uma ideia do que se avista no campo tributário.






Acompanhe os principais pontos do texto:


Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF)


Faixa de isenção

Um dos pontos principais é o reajuste da faixa de isenção do IR para a pessoa física. O valor passará de R$ 1.903,98 para R$ 2.500,00 mensais.


Atualização da tabela do IRPF

Sem alterações desde 2015, a tabela terá o seguinte ajuste:


Atual

Reforma IR

Alíquota

Até R$1.903,98

Até R$2.500,00

0%

De R$1.903,99 a R$ 2.826,65

De R$2.500,01 a R$3.200,00

7,5%

De R$2.826,66 a R$3.751,05

De R$3.200,01 a R$4.250,00

15%

De R$3.751,06 a R$4.664,68

De R$4.250,01 a R$5.300,00

22,5%

Acima de R$4.664,69

Acima de R$5.300,01

27,5%


Como fica a possibilidade de declaração simplificada?

Todas as pessoas físicas poderão optar pelo modelo de declaração simplificada. Foi fixado o valor máximo de R$ 10.563,60 para utilização de desconto. O limite válido até então é de R$ 16.754,34. Essa redução do limite do desconto simplificado tem o objetivo de repor as perdas de arrecadação com o reajuste da tabela progressiva de IRPF.


Atualização de valor do imóvel

Hoje, devem ser mantidos na declaração os valores originais de imóveis. Em caso de venda, o imposto a ser pago varia entre 15% e 22,5% sobre o ganho de capital.

A partir da reforma, fica permitida a atualização dos valores patrimoniais, mesmo que não ocorra a venda. Será cobrada alíquota de 4% sobre essa atualização.


Bens e direitos mantidos no exterior

Bens e direitos no exterior, declarados até 2020, poderão ser atualizados à alíquota de 6% sobre o ganho de capital.


Fundos Imobiliários

O texto mantém isenção de IR sobre os rendimentos de fundos de investimentos imobiliários (FIIs).


Come-cotas: fundos abertos e fechados

No atual cenário, funciona assim: fundos abertos pagam imposto, o “come-cotas”, nos meses de maio e novembro; fundos fechados só são tributados no momento do resgate.

A partir da reforma, os dois tipos de fundos pagarão um come-cota anual, em novembro. Para fundos fechados, a tributação pelo come-cotas anual terá alíquota de 15%, com possibilidade de pagamento de imposto sobre o “estoque” à alíquota de 6%.

FII, FIAGRO, FIP, FIA, FIDC, entre outros fundos, continuarão sem cobrança do come-cotas.


Bolsa de Valores

O texto altera a limitação para isenção de IR na venda de ações. O limite passa de R$ 20 mil mensal para R$ 60 mil por trimestre. Outra alteração importante é que a compensação dos prejuízos passa a ser livre entre os tipos de operação no mercado financeiro.


Mudança na alíquota do IRPJ


De acordo com a proposta, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) terá redução de 15% para 8%. A nova alíquota já seria aplicada em 2022.


Redução na CSLL para empresas


O texto traz a diminuição de até 1 ponto percentual na cobrança da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido). A redução será de 0,5 ponto percentual em duas etapas, vinculadas à redução de deduções tributárias que aumentarão a arrecadação. O total chegará a 1 ponto percentual:

  • 9% para 8% no caso geral;
  • 20% para 19% para os bancos;
  • 15% para 14% para demais instituições financeiras.

Revisão de benefícios fiscais


Como forma de compensação à perda de arrecadação do governo, está sendo proposto o corte de alguns benefícios fiscais:

  • isenção de IR sobre auxílio-moradia de agentes públicos;
  • crédito presumido aos produtores e importadores de medicamentos;
  • redução a zero das alíquotas de determinados produtos químicos e farmacêuticos;
  • desoneração para termelétricas a gás natural e carvão mineral.

Juros sobre Capital próprio (JCP)


O texto extingue os Juros sobre Capital próprio (JCP), meio até então utilizado pelas empresas para a remuneração de acionistas e que permite que o empresário invista seu dinheiro na própria empresa.


Tributação sobre dividendos


Até então, os dividendos são isentos no Brasil. Com a reforma, a tributação de lucros e dividendos distribuídos pelas empresas a pessoas físicas ou jurídicas será de 15%.


Pelo texto-base aprovado na Câmara em 1º de setembro, a cobrança seria de 20%, mas durante a rodada de votação dos destaques no dia seguinte, houve a redução para 15%.


Isenções

As empresas optantes pelo Simples Nacional e empresas tributadas pelo lucro presumido com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões ficam dispensadas do pagamento do tributo.

A isenção também atinge:

  • fundos de previdência complementar;
  • empresas participantes de uma holding;
  • empresas que recebam recursos de incorporadoras imobiliárias sujeitas ao regime de tributação especial de patrimônio de afetação.

Holdings e offshores


Foram retiradas desta versão do texto as previsões que obrigariam a apuração do lucro real para holdings imobiliárias e que alterariam as regras de tributação dos lucros de empresas offshores (companhias situadas em países de tributação favorecida).


Apoio tributário direcionado a pessoas físicas e jurídicas


A Domingues e Pinho Contadores possui núcleos de atendimento dedicados a pessoas físicas e jurídicas. Os times orientam os contribuintes ao longo de todo exercício fiscal, garantindo segurança nas ações e conformidade com as regras vigentes.

Esse suporte auxilia negócios e investidores na avaliação dos impactos das mudanças e na adaptação do planejamento tributário, de forma a manter uma gestão eficiente e estratégica em qualquer cenário.

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